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Vã Idade

Gaveta para texto típicos da idade: (va)idade, (in)genuidade, (in)felicidade, (i)maturidade e...

Gaveta para texto típicos da idade: (va)idade, (in)genuidade, (in)felicidade, (i)maturidade e...

Vã Idade

20
Nov19

Receber um pedido de desculpas...

Vera Tecla

Receber um pedido de desculpas sincero tem um poder curativo que funciona assim:

1 - sinto que a minha dor é reconhecida e validada pelo outro;

2 - isso faz com que, internamente, eu já não precise de gastar energia e recursos para alertar que me dói, lutar para me defender ou para atacar;

3 - fico com energia disponível para ver o agressor com outros olhos: rever o meu agressor à luz do seu arrependimento.

4 - construo uma versão actualizada, na minha mente, em que integro o últimos eventos, e dou novo entendimento às ações do outro, abrindo espaço à compreensão e formas aproximadas de perdão.

Mas isto raramente vai acontecer numa vida.

E quando nos acontece é tão forte que sabemos que está a acontecer.

O que eu não sabia é que podia acontecer por via indireta...

Quando escrevi o “Quem procura sempre encontra o que NÃO quer!” , passado uns dias esse texto  teve um destaque no sapo opinião.

Esse destaque no sapo permitiu que eu sentisse a minha dor reconhecida e validada por terceiros imparciais.

Ou seja, não vinda de um terapeuta a quem eu estivesse a pagar. Não a um amigo ou familiar que preferisse dar-me razão.

Esse reconhecimento e validação idónea e imparcial, fez com que eu ficasse menos dura e mais tolerante. Que me dispusesse a revisitar todo o episódio novamente e verificasse até que ponto estava a ser justa.

Aí lembrei-me de uma palestra que vi com ela - a Pema Chodron - em que ela foi para dar apoio e voz a uma instituição que ajuda ex-gansters de Los Angeles (a “Homeboy Industries”) a conseguirem reintegração na “sociedade”.

Não sei, não fui investigar, até que ponto este interesse dela, neste tipo de comunidade é antigo, ou é recente. E se está, ou não, relacionado com a acusação feita ao amigo.

O facto é que, depois do destaque, vendo a minha dor validada, fui capaz de ser (ligeiramente) menos dura com a Pema Chodron. Revisitar o tema e atualiza-lo com novos dados na minha mente. E no meu coração.

E de sentir algum alívio, alguma leveza, típica destas fases em que se resolve alguma coisa cá dentro.

Foi uma sorte!

Raramente acontece na vida de todos os dias.

Ou então, sou eu que também quero arranjar desculpas para a Pema Chodron. Por não a querer perder, nem ao que ela me ensinou e poderia ensinar.

Vocês também fazem disto?

~o~~o~~o~

On cultivating Courage: an evening with Pema Chodron and Father Greg Boyle , de 23-06-2018.

 

31
Out19

Quem procura sempre encontra o que NÃO quer!

Vera Tecla

IMG_2274.PNG

Imagem: the new york times 

Convenci-me de que tinha encontrado quem me iria conseguir esclarecer sobre a RAIVA.

De entre outras palestras interessantes, eu tinha começado a estudar o "Don't bite the hook" da Pema Chodron, que me pareceu muito aprofundado e consistente.

Acabo de ver a entrevista da Oprah à Pema Chodron, a propósito do seu novo livro.

Fiquei a saber que a Pema, há 15 anos atrás, tendo recebido um (pedido de ajuda) queixa de violação de uma jovem de um centro de meditação budista, terá IGNORADO a queixa e respondido:

"I don't believe you. And if it is true, I suspect you were into it."

[tradução: "Eu não acredito em ti. E se é verdade, eu acho que foi porque tu também quiseste."]

Oh Pema!                        

Partiste-me o coração.

Como é possivel teres sido tão cega? Tão fria? Tão brutal?

Depois da primeira violência sobre a vítima, tu foste a segunda a violenta-la.

Com a tua desproteção e descrença.

Com as tuas palavras!

Como, de resto, tantas vezes acontece nestas situações...

Estou zangada contigo. Desolada. Desiludida.

Tão triste.

Num segundo momento da entrevista, dirigiste o teu discurso para como é errado rotular-se e diabolizar-se alguém, pois tudo é impermanente e as pessoas mudam.

Será?    O Universo tem Constantes...

Disponibilizaste-te para falar com a vítima, 15 anos depois. Mas fico com a sensação que foi puro cumprimento de um dever moral. Desprovido, contudo de arrependimento genuíno. Quase como se lhe estivesses a fazer...um favor.

Por que na realidade, tu não queres acreditar que o velho que tu conheces desde jovem seja o abusador que efetivamente é.  Estás em negação? Assim, parece.

Não queres acreditar que te enganaste. Que aquele homem “divino”, “reincarnaçao de homens sábios”, tenha de fato sido capaz de fazer mal a alguém.

No fundo, acreditas que... a culpa é delas. Que elas é que o provocaram. E que depois...sabe-se lá a troco de que vantagens, se quiseram ir queixar.

E isto é o que assisto também, no discurso de muitas mulheres diferenciadas aqui em Portugal.

Pema, com tanta meditação já deverias ser mais elevada nas tuas ações. 

Escrever e fazer palestras é fácil.

Mas o propósito da vida que escolheste seria demonstrar que a prática da meditação permite aceder a um lugar de maior clareza mental.

A partir do qual podemos exercer as nossas escolhas, em verdadeira liberdade. Em vez de re-agir apenas, em modo automatico, ir-refletidamente.

Tu escolheste, em verdadeira liberdade, rejeitar um pedido de ajuda de uma mulher?

Tu escolheste, em verdadeira liberdade, acreditar que ele (o filho do teu amigo) vai mudar?

Pois eu vi-te a não ouvir. A não querer ouvir, mais uma vez.

E só te calaste e reconheceste que não estavas a ouvir porque a Oprah, também ela vítima de abuso, to fez notar.

Fez-te notar que agora não é tempo de andar a fazer festinhas no agressor, coitadinho.

Mas de cuidar das VÍTIMAS, porra!

Quais religião, quais meditação, quais iluminação.

É a lei do mais forte!

 

Oprah's interview:   https://youtu.be/d8_ZKUQFFMg

 

https://www.nytimes.com/2018/07/11/nyregion/shambhala-sexual-misconduct.html

https://m.facebook.com/Shambhala.org/posts/the-kalapa-council-would-like-to-share-an-important-message-with-the-worldwide-s/1999897840264640/

https://www.lionsroar.com/kusung-letter-sakyong-mipham-abuse-misconduct/

https://www.lionsroar.com/pema-chodron-apologizes-for-dismissing-allegation-of-sexual-assault-from-young-woman/

Leitura sugerida:

VISAO | Entrevista Isabel Ventura: “Não vamos infantilizar homens e mulheres, achando que os homens, coitados, não percebem a diferença entre assédio e sedução”

 

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